Grávidas, Bebês e Gatos

 .

Alguns médicos – por falta de conhecimento e informação –

aconselham suas pacientes a se desfazerem do gato quando engravidam.

Gatos podem viver mais de 15 anos

e são totalmente dependentes de cuidados e afeto durante toda a sua vida.

Uma pessoa bem informada cuida bem do seu companheiro felino

e sabe que o gato também está (esteve) esperando o bebê nascer!

 

*

Tenho um Gato e vou ter um Bebê!

 

Se você não quiser que o seu gato frequente o quarto do bebê nos primeiros dias, vá acostumando a não deixá-lo a entrar no quarto semanas antes do bebê nascer.

Depois, quando o bebê estiver dormindo, supervisione o passeio do gato por alguns minutos.

Ele vai se acostumar aos poucos com os novos cheiros e logo vai querer ficar junto do bebê.

Afinal, seu gato também esteve esperando o bebe nascer por nove meses, sentindo todos os cheiros das mudanças no seu corpo e ouvindo todos os sons que o bebê fazia no seu ventre.

 

Cuidados

 

O cuidado que uma mulher grávida deve ter, é o mesmo que todas as pessoas que tem um companheiro felino devem ter:

lavar bem as mãos após o manuseio da caixa de areia onde o gato faz suas necessidades.

 

Os animais de companhia devem estar sempre com a vermifugação e a vacinação em dia.

É muito importante que o animal (macho ou fêmea) esteja CASTRADO pois a castração evita doenças, previne tumores e facilita o convívio.


 

Como preparar o gato para a chegada do bebê?

 

As adaptações devem ser feitas aos poucos através de treinamentos algum tempo antes do bebê chegar.

Com a chegada de um bebê a rotina da casa se modifica.

A criança passa a ser o centro das atenções.

Com isso o gato pode ficar estressado, uma vez que mudanças nos hábitos da família ocorrem de forma repentina, sem que o animal consiga compreendê-las.

Para realizar as adaptações necessárias é importante agir de forma gradual e condicionar o animal através de treinamentos algum tempo antes da chegada do nenê:

– O gato não deverá associar a chegada do bebê com perda de espaços ou carinho.Assim, no caso de o animal não poder acessar livremente algum cômodo da casa depois que a criança chegar, o ideal é acostumá-lo com essa limitação ainda durante a gestação;

– Alguns gatos passam longos períodos no colo dos proprietários. É importante que ele seja acostumado a descansar em outros locais, já que o dono não poderá ficar com ele no colo por muito tempo. Forneça um local bem confortável e que agrade o gato, sem privá-lo do contato humano;

– Quando o bebê nascer, alguém deve ficar encarregado de trazer panos com o cheiro da criança para casa, colocando-os nos locais de uso habitual do bichano, tais como embaixo da vasilha de comida, ou na caminha. Desta forma, o gato deverá associar o cheiro do nenê a situações agradáveis;

– O choro ou movimentação do bebê poderão gerar reações no gato, como medo ou curiosidade. Neste caso o animal não deve ser punido ou ele vai associar o nenê com coisas ruins. Aja com naturalidade e prefira recompensar com elogios, petiscos ou carinho toda vez que ele se aproximar de maneira tranquila.

– Por mais calmo que seja o seu gato, essa aproximação e contato com a criança devem sempre ser supervisionados, para que tudo ocorra da forma mais segura e saudável possível.

Caroline Serratto, Zootecnista, escritora e adestradora

Fonte: http://guiadobebe.uol.com.br/como-preparar-o-gato-para-a-chegada-do-bebe/

—————————————————————————————————-

Veja o vídeo de Jackson Galaxy (em inglês)

“How to introduce a baby to your cat”

http://www.youtube.com/watch?v=gz6Dn4VFQrs

 

 

Leia também

GESTANTES E ANIMAIS DE COMPANHIA EM HARMONIA

Não há riscos na convivência entre animais e grávidas quando o cuidado é de verdade.
Basta prestar atenção em noções simples de higiene e conduta respeitosa.

http://www.disneybabble.com.br/br/rede-babble/sa%C3%BAde-e-bem-estar/gestantes-e-pets-em-harmonia


Importante

 

Muito se fala de uma doença atribuída aos gatos,

quando a forma de contágio mais comum e provável da toxoplasmose

é através da ingestão de em carnes mal passadas e verduras mal lavadas.

Se o seu(sua) médico(a) a aconselhou você a “se livrar” do seu gato por estar grávida,

imprima estes artigos de especialistas (médicos infectologistas e médicos veterinários)

e leve para seu(sua) médico(a)… ou “livre-se” do(a) seu(sua) médico(a).

 *

Seguem artigos de médicos veterinários e infectologistas

com informações sobre a toxoplasmose (doença geralmente e erroneamente atribuída aos gatos)

Toxoplasmose: o maior perigo está onde você nem imagina

Dra. Claudia Batistella Scaf e Dra. Camila Zinn Arend

A toxoplasmose é uma zoonose (doença transmitida dos animais aos homens) causada por um protozoário chamado Toxoplasma gondii.

Infelizmente, não faz parte da rotina médica o atendimento de zoonoses, mas para nós, médicos veterinários, é muito comum.

Nós lutamos todos os dias para derrubar o mito de que o gato é grande vilão da toxoplasmose; queremos mostrar à população como realmente acontece a transmissão.

Realmente, não se pode negar, o Toxoplasma Gondii é um protozoário que tem seu ciclo de vida em diversos carnívoros, mas somente no felino ele é capaz de completá-lo e infestar o meio ambiente

Mas há um caminho longo e cheio de barreiras para que uma pessoa adquira a doença diretamente do injustiçado gato.

Em primeiro lugar,

não são todos os felinos que tem predisposição para fazer a doença, mas somente aqueles que ingerem carne crua ou que são caçadores (baratas, ratos etc.).

Para que ocorra transmissão para o gato, é necessário que  este coma a carne que contenha os cistos do toxoplasma.

Na maioria, são animais que tem acesso à rua e que estão com seu sistema imune comprometido.

Estima-se que apenas 1% (UM EM CEM!) da população felina albergue o protozoário.

Em segundo lugar,

o gato, se estiver contaminado, só elimina o parasito nas fezes durante 15 dias e apenas uma vez em toda a sua vida.

Geralmente esta eliminação ocorre 10 dias após ter se infectado.

Em terceiro lugar,

para ocorrer a contaminação de pessoas a partir das fezes do gato, é necessário que estas fezes fiquem no ambiente por, NO MÍNIMO, 48 horas, e que depois sejam ingeridas ; caso contrário, o ciclo não se completa!

Os gatos possuem o hábito de limpar-se, não deixando restos de fezes na pelagem, e enterram seus excrementos.

Porém, mesmo que não se limpem, já há estudos mostrando que não há viabilidade de infecção caso hajam fezes grudadas no pelo do animal.

A possibilidade de contaminação do proprietário do gato pelo próprio gato é mínima ou inexistente.

Acariciar um gato e tê-lo como animal de companhia não representa perigo.

Mordidas ou arranhões do gato também não transmitem toxoplasmose.

O mais comum é que a doença seja adquirida via ingestão de carnes mal cozidas, e também pela ingestão de verduras e legumes mal  lavados e falta de higienização das mãos após o manuseio com terra.

Tendo em vista o supracitado, é por isso que há um alto índice de toxoplasmose em Portugal, pelo alto consumo de embutidos (leia-se sem cozimento), e também em Erechim (RS), que é o lugar com maior índice de toxoplasmose no planeta, pelo alto consumo de carne suína mal cozida.

Ademais, somente pessoas imunodeficientes ou as mulheres grávidas que nunca tiveram  contato com o parasito (leia-se sem formação de anticorpos) formam o grupo de risco.

Se fizermos sorologia numa determinada população, a maioria será positiva para toxoplasmose, não pelo fato de terem a  doença, mas sim porque, em algum momento da vida, houve contato com o cisto do parasito e o corpo produziu anticorpos, e estes anticorpos permanecem para o resto da vida.

Portanto, que fique bem claro que beijar, abraçar, dormir com gatos NÃO LEVA À TRANSMISSÃO DA TOXOPLASMOSE!

A prevenção da toxoplasmose se dá com boas práticas de higiene, tais como

– limpar a caixa de areia dos felinos diariamente,

– não ingerir alimentos crus ou mal cozidos sem prévio congelamento por 48 horas,

– não ingerir leite in natura e embutidos não fiscalizados,

– limpar cuidadosamente qualquer material que entre em contato com carnes cruas, e

– fazer uso de luvas ao realizar jardinagem.

Além disso, evite que seu gato tenha acesso a rua e,  é claro, o animal deve ser vacinado, desverminado e examinado regularmente por um médico veterinário para que se evite qualquer doença.

 

Na dúvida?

Faça uma sorologia, sua e do seu felino, para toxoplasmose.

E por favor, não abandone seu animal de estimação!

Dra. Claudia Batistella Scaf – CRMVRS 7664 –  claudiascaf@yahoo.com.br

Dra. Camila Zinn Arend – CRMVRS 8137 – camilaarend@terra.com.br

(Texto publicado no Jornal ‘Correio do Povo’ em março de 2010)

_________________________________________________

 

TOXOPLASMOSE: O RISCO ESTÁ NO PRATO OU NO GATO?

Dra. Claudia Vanessa B. Rodrigues

 

A toxoplasmose é uma zoonose(1) que tem diversas fontes de infecção.

Ao contrário do que muitos pensam, as fezes frescas de gatos não são fontes de infecções.

Os gatos infectam-se pela ingestão de presas contaminadas, água contaminada e ingestão de carne crua ou mal cozida.

Ele tem o papel central na infecção por ser o único animal de sangue quente que elimina nas fezes oocistos(2) do parasita que então contamina o homem e outros animais, esses oocistos precisam ficar em média três dias no ambiente para que se tornem infectantes.

Assim sendo, fezes frescas de gato, não apresentam risco de infecção.

Como os gatos são animais extremamente limpos e durante a infecção raramente apresentam diarreia, diminui o risco de ficarem resíduos fecais na sua pelagem, sendo assim, a possibilidade de transmissão para o homem pelo ato de tocar ou acariciar um gato é mínima ou inexistente.

Mordidas e arranhões também são improváveis meios de transmissão.

Outro fato importante é que gatos que entram em contato com o protozoário pela primeira vez eliminam os oocistos nas fezes por uma a duas semanas e então desenvolvem imunidade que pode durar até seis anos.

Durante esse período, mesmo sendo novamente expostos à infecção, não eliminarão os oocistos nas fezes, ficando impossível a transmissão para o homem e demais animais.

Diversos estudos têm demonstrado que possuir um gato como animal de estimação, ter contato com os gatos perto de casa ou trabalhar com gatos num hospital veterinário não aumentam as chances de contrair toxoplasmose.

Evitar contato com o gato não significa evitar a infecção.

A principal fonte de infecção para o homem é o consumo e contato com carnes cruas e mal cozidas contendo oocistos do parasita.

Entre carnes consumidas, a suína é considerada a maior fonte de infecção, pois o parasita pode sobreviver no animal por mais de um ano.

O homem também pode ser infectado por via transplacentária e água contaminada com os oocistos.

Assim, a melhor forma de evitar a toxoplasmose é:

– não ingerir carne crua ou mal cozida;

– lavar bem as mãos e utensílios de cozinha com água morna após a manipulação de carne crua;

– nas atividades de jardinagem, utilizar luvas;

– lavar bem frutas e verduras;

– trocar a caixa de areia dos gatos diariamente (antes que os oocistos se tornem infectantes);

– não alimentar gatos com carne crua ou parcialmente cozida,

– manter os gatos dentro de casa para evitar o hábito de caça.

Dra. Claudia Vanessa B. Rodrigues, CRMV-SP 15820 – www.sava.org.br

_________________________________________________

 

TRANSMISSÃO: A CARNE FRESCA E A LINGUIÇA DE PORCO SÃO A PRINCIPAL FONTE DE INFECÇÃO POR TOXOPLASMA GONDII EM VÁRIAS PARTES DO MUNDO

Vanilda Pintos, Médica Veterinária

 

Sou médica veterinária há 22 anos, apaixonada por gatos e defensora radical dos animais desde que me conheço por gente.

Temos lutado arduamente em minha cidade para melhorar o nível de consciëncia das pessoas no que tange à maneira de tratar aos animais.

Nossa mais recente luta vem sendo travada para fazer cessar a captura por parte do poder público e implantar na cidade a esterilização sistemática dos animais domésticos. Temos sofrido muito vendo os cães serem perseguidos como se fossem pragas urbanas.

Agora, recentemente tive o desprazer de me deparar com esta matéria infeliz veiculada pela rede Globo dando este enfoque sensacionalista contra os gatos ao relatar a morte da atriz Mírian Pires.

Como sempre criei gatos e trabalho com estes há mais de 20 anos gostaria de deixar minha modesta contribuição sobre alguns pontos que devem ser levantados pelos protetores quando o assunto for toxoplasmose.

Sempre costumo dizer que os nossos apelos sentimentais em defesa dos animais não contam para estas pessoas insensíveis que não os apreciam, assim sendo , todo protetor deve estar esclarecido para poder argumentar com ciëncia quando estes  doutores vierem com argumentos científicos condenando os gatos.

É interessante saber que:

No artigo Toxoplasmose: Realidade e Preconceitos por Nara Amélia da Rosa Farias na Revista Acadêmica de Medicina Veterinária da Faculdade de Veterinária- UFPel- v.01,n.02 , 02/2002 temos…

“No entanto, ainda existe uma grave falta de informação entre os profissionais da área da saúde e, consequentemente, do público, quanto aos riscos de infecção dos humanos a partir de seu gato de estimação. Por isso, ainda são freqüentes recomendações preconceituosas e sem embasamento científico feitas por médicos e veterinários, quanto aos animais de estimação.

O conhecimento de características biológicas e epidemiológicas do parasita esclarece os verdadeiros riscos de infecção para o homem e os animais, tornando possível a recomendação de medidas realmente efetivas para seu controle.”

No capítulo “Transmissão” temos:

– Por ingestão: a infecção por Toxoplasma gondii pode ocorrer através da ingestão de água ou alimentos contaminados com oocistos esporulados de fezes de gatos, e ingestão de carne crua ou mal cozida com cistos ou taquizoítos.

Entre os alimentos de origem animal, a carne suína, crua ou mal cozida, representa maior risco de transmissão de toxoplasmose aos humanos, seguida de produtos ovinos, caprinos e de coelhos.

Nesta altura, levanto a seguinte questão: porque tanta perseguição aos gatos e nenhuma tentativa de induzir as pessoas a deixarem de comer a carne destes animais citados acima?  Por mais dramático e até irônico que seja, as pessoas os comem e se lambuzam e não estão nem um pouquinho preocupadas em se contaminar, agora, quando o assunto é gato, aí sim, vem uma preocupação paranoica, e querem sair abandonando ou matando os felinos. A questão é que passamos no primeiro caso por uma necessidade de mudança de hábitos e aí entra o prazer milenar e macabro das pessoas em comerem os indefesos animais…

Ainda em “Transmissão”: A carne fresca e a  linguiça de porco são a principal fonte de infecção por Toxoplasma gondii em várias partes do mundo.

No Brasil, isso é agravado pelo fato de que grande parte das linguiças consumidas são feitas artesanalmente. Vários estudos revelam maiores prevalências de infecção por Toxoplasma gondii em humanos, nas populações que tem com hábito a ingestão de carnes cruas ou mal passadas.

Além disso, as prevalências de infectados aumentam com as faixas etárias, indicando ser essa uma das principais fontes de infecção para os humanos. Carnes embutidas, processadas inadequadamente (principalmente salsichas), podem representar importante fonte de infecção para humanos em várias regiões, inclusive no sul do Brasil.

# A esta altura vocês todos que estão lendo estas informações devem estar se questionando porque as autoridades médicas não fazem alarde quanto a estes meios de transmissão! Será má formação acadêmica, ou simplesmente omitem estas informações levianamente não se importando com o destino reservado aos felinos.

Ainda em  “Transmissão”: Já foi relatada transmissão pelo leite de cabra in natura.

Os oocistos infectantes podem também ser espalhados por hospedeiros de transporte, como minhocas, moscas e baratas.

As baratas podem contaminar diretamente os alimentos, além de servirem de fonte de infecção mesmo para cães e gatos mantidos no interior de residências.

 

É importante salientar que o contato direto com o gato, o fato de acariciá-lo, não representam risco de infecção para o ser humano, por vários motivos:

1. o período de eliminação de oocistos é muito reduzido,

2. os oocistos precisam de, no mínimo, um dia no ambiente para se tornarem infectantes e portanto,  o contato com fezes frescas não representa risco,

3. mesmo durante a eliminação de oocistos, os gatos geralmente não apresentam diarréia. Esse fato, somando aos hábitos de higiene do animal,  fazem com que não permaneçam resíduos fecais na região peri-anal, nem em sua pelagem, eliminando o risco de infecção dos humanos que o acariciem,

4. mordidas e arranhões de gato são improváveis formas de transmissão do protozoário, uma vez que, mesmo durante a fase aguda da doença, dificilmente existirão taquizoítos na cavidade oral do felino e nas unhas, essa possibilidade é nula.

Portanto, a contaminação  humana com oocistos eliminados pelo gato, pode ocorrer através da ingestão de água ou alimentos contaminados, não havendo perigo adicional de transmissão a partir do contato direto com o animal de estimação.

Controle:

Para recomendar medidas de controle de uma enfermidade, é indispensável conhecer a biologia do agente etiológico, as formas de transmissão e as prováveis fontes de infecção. Infelizmente, alguns médicos e veterinários fazem recomendações que revelam seu desconhecimento sobre a parasitose e muitas vezes, o que é pior, um grande preconceito contra o gato como animal de estimação. São feitas recomendações exageradas, como a de se desfazer do animal, sem levar em conta o impacto emocional dessa medida para o dono.

Os benefícios emocionais do convívio com um animal de estimação são indiscutíveis e, muitas vezes, desrespeitados por profissionais desinformados. Além disso, vários trabalhos demonstraram que o fato de alguém ter gatos como animais de companhia, e até mesmo de lidar com eles em hospitais veterinários, não aumenta sua probabilidade de se infectar por Toxoplasma gondii.

Evitar o contato com gatos não significa evitar a exposição ao Toxoplasma gondii. É necessário levar em conta todas as outras possíveis fontes de infecção para poder tomar medidas de controle racionais e efetivas que, embora simples, em muitos casos são ignoradas pelos profissionais da saúde.”

E para finalizar, sempre digo, que se os animais fossem tão pestilentos assim, não haveria nenhum de nós, veterinários, vivo.

Vanilda Pintos, Médica Veterinária – vanildamp@vetorial.net – Rio Grande / Rio Grande do Sul

_________________________________________________

 

Relato de uma Consulta de uma Médica Infectologista

Dra. Nédia M. Halage

 

Há algumas semanas recebi em meu consultório uma paciente gestante encaminhada por seu médico obstetra.

Ela chegou angustiada e solicitava algumas orientações.

Vou transcrever a consulta.

– Paciente – Bom dia, doutora. Estou grávida de 3 meses e iniciei o pré-natal.

Na primeira consulta o médico obstetra fez algumas perguntas e solicitou vários exames.

Quando eu disse que tinha uma gatinha em casa, ele recomendou que eu me desfizesse dela pois poderia transmitir uma doença chamada Toxoplasmose que poderia

causar dano ao meu bebê.

Fiquei muito preocupada porque adoro a minha gatinha e queria saber como proceder.

– Médica – A Toxoplasmose é uma doença infecciosa causada por um microorganismo chamado Toxoplasma gondii e pode ser transmitida pelas fezes do gato.

Mas fique tranquila que não há nenhuma necessidade de se desfazer da sua gatinha.

– Paciente – Só existe essa forma de transmissão?

– Médica – Não.

A principal forma de transmissão é a ingestão de carnes mal passadas.

Verduras mal lavadas também podem ser fonte de contaminação.

– Paciente – E quais são os sintomas, doutora?

– Médica – A manifestação clínica da toxoplasmose é variada.

Na maior parte das vezes não apresenta sintomas mas pode causar febre com surgimento de gânglios pelo corpo, principalmente no pescoço, e comprometimento dos

olhos com distúrbios da visão.

Durante a gravidez, se a gestante tiver a infecção aguda, pode ocorrer a transmissão para o bebê através da placenta.

– Paciente – E há como evitar a contaminação?

– Médica – Sim. As formas de prevenção interrompem as vias de transmissão.

Normas básicas de higiene são necessárias e suficientes para evitar a doença.

Não há nenhuma necessidade de qualquer pessoa se desfazer de seu animal de estimação, nem mesmo pessoas com baixa resistência imunológica ou gestantes.

Para evitar contaminação:

– não ingerir carnes mal cozidas ou mal passadas

– lavar bem as verduras e frutas

– lavar as mãos após limpeza das caixas higiênicas dos gatos

– usar luvas para lidar com a terra (jardinagem)

Basta seguir estas recomendações e seja feliz com seu bebê e com sua gatinha.

“Animais transmitem doenças.” Este é um paradigma de nossa sociedade, inclusive entre médicos.

No entanto afirmo que animais saudáveis não transmitem doenças.

Um guardião responsável – que cuida e preserva a saúde de seus companheiros animais e que tenha hábitos de higiene – não precisa temer ser contagiado por eles… e nem contagiá-los.

– Paciente – Muito obrigada pelo esclarecimento, doutora. Agora estou mais tranquila e sinto-me segura.

A mulher grávida despediu-se e saiu.

É importante que esta informação seja divulgada para que animais de companhia não sofram abandono por causa de mitos e de falta de informação adequada.

Dra. Nédia Maria Halage
Médica Infectologista e Epidemiologista
Pós-graduada pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP
Professora da Faculdade de Medicina do ABC

_________________________________________________

 

TOXOPLASMOSE E A ÉTICA NA PROPAGAÇÃO DE INFORMAÇÕES

Dra. Andréa Lambert e Renata de Freitas Martins

 

Tendo-se em vista a forte divulgação de informações preconceituosas e errôneas a respeito da toxoplasmose, imputando aos gatos toda a culpa por sua transmissão,

abordaremos a seguir sobre o assunto, esclarecendo de vez certas lendas.

Toxoplasmose é doença causada pelo protozoário Toxoplasma gondii.

O parasita é capaz de invadir, naturalmente, qualquer organismo animal de sangue quente (homeotermos), nos quais se multiplica em ciclo assexuado.

É parasita estrito do interior da célula (intra celular), e principalmente células do sistema nervoso central, endotélios e dos músculos estriados como o são aqueles esqueléticos e do coração (miocárdio).

Sua transmissão, diferentemente do que a cultura popular prega, não é dada exclusivamente por fezes de gatos (1).

Aliás, muito pelo contrário. O modo mais comum de transmissão da toxoplasmose é a ingestão alimento contaminado, principalmente carnes cruas e mal cozidas.

Quando um ser humano tem seu primeiro contato com agente causador da Toxoplasmose, ele pode desenvolver sintomas semelhantes aos de uma gripe, como dores no corpo, tosse, entre outros.

As defesas do organismo costumam ser suficientes para conter o processo, embora pessoas com deficiências imunológicas (portadores de AIDS e câncer , por exemplo) possam desenvolver sintomas graves em função dessas infecções.

O parasita pode ainda retornar caso a imunidade seja afetada no futuro.

Após esta primeira infecção o indivíduo normal ganha imunidade contra a doença.

O grande perigo da infecção ocorre quando uma mulher gestante entra em contato com o Toxoplasma pela primeira vez em sua vida e desenvolve a infecção, mas a mulher gestante pode se prevenir não comendo alimentos crus ou mal-cozidos, usando luvas ao fazer jardinagem (lavando as mãos depois) e limpar cuidadosamente o material que irá entrar em contato com carne crua, como a tábua de cortar carne.

É bom que a gestante possa saber se já tem ou não anticorpos contra a Toxoplasmose, até para poder regular o grau de atenção para as medidas preventivas.

Isso se consegue por meio de um exame de sangue.

Assim, a divulgação de informações de forma equivocada, além de ser prejudicial aos gatos, também faz com que a omissão na informação da transmissão por meio da alimentação, por alimentos como leite em natura (sem pasteurização), verduras e carnes mal passadas contaminadas, que é a grande fonte de infecção, é um grande erro no ponto de vista sanitário e de saúde pública, pois nega à população uma importante informação para a prevenção da contaminação.

Assim o preconceito sempre estará acima da verdade e informação.

Neste mesmo sentido discorre Nara Amélia da Rosa Farias, in “Toxoplasmose: Realidade e Preconceitos”, Revista Acadêmica de Medicina Veterinária da Faculdade de Veterinária – UFPel- v.01,n.02 , 02/2002:

“(…) ainda existe uma grave falta de informação entre os profissionais da área da saúde e, conseqüentemente, do público, quanto aos riscos de infecção dos humanos a partir de seu gato de estimação. Por isso, ainda são frequentes recomendações preconceituosas e sem embasamento científico feitas por médicos e veterinários, quanto aos animais de estimação.

O conhecimento de características biológicas e epidemiológicas do parasita esclarece os verdadeiros riscos de infecção para o homem e os animais, tornando possível a recomendação de medidas realmente efetivas para seu controle.”

Um trabalho de informação à população é fundamental para se esclarecer sobre a toxoplasmose e evitar a contaminação.

Aliás, sobre este assunto, muito bem nos ensina o insigne promotor de Justiça, Dr. Laerte Levai, em seu livro “Direitos dos Animais”:

“Não é justo discriminar os gatos pela transmissão da toxoplasmose, mesmo porque esses animais têm costumes higiênicos bem apurados (enterram nas próprias fezes e demonstram asseio corporal).

O que pouca gente sabe, no entanto, é que os gatos – em regra quando pequenos – eliminam naturalmente o toxoplasma, ficando livres, em definitivo, do protozoário.

A situação de penúria e abandono que, tantas vezes atinge os bichanos, fazendo com que eles precisem caçar para sobreviver, pode eventualmente trazer a doença.

Nesta hipótese, medidas efetivas de conscientização ambiental e de posse responsável mostram-se fundamentais para enfrentar o problema”.

Portanto, pelo breve exposto, é notório que a contaminação de toxoplasmose por meio do contato com gatos é mais uma das maldosas lendas urbanas, e, infelizmente, adotada por muitos, e inclusive pela imprensa, que, infelizmente, deixa de cumprir seu próprio código de ética (art. 2º: “A divulgação de informação, precisa e correta, é dever dos meios de comunicação pública, independente da natureza de sua propriedade”).

Ética nos meios de comunicação é essencial para a correta disseminação de informações e consequente formação de uma sociedade com atitudes corretas e justas!

(1) É importante salientar que o contato direto com o gato, não representa risco de infecção para o ser humano, pelos motivos a seguir expostos:

– o período de eliminação de oocistos é muito reduzido;

– os oocistos precisam de, no mínimo, um dia no ambiente para se tornarem infectantes e, portanto, o contato com fezes frescas não representa risco;

– mesmo durante a eliminação de oocistos, os gatos geralmente não apresentam diarréia. Este fato, somando-se aos hábitos de higiene do animal, faz com que não permaneçam resíduos fecais na região peri-anal, nem em sua pelagem, eliminando o risco de infecção dos humanos que o acariciem;

– mordidas e arranhões de gato são improváveis formas de transmissão do protozoário, uma vez que, mesmo durante a fase aguda da doença, dificilmente existirão taquizoítos na cavidade oral do felino, e nas unhas essa possibilidade é nula.

Andréa Lambert, Médica Veterinária, presidente da ANIDA-RJ

Renata de Freitas Martins, advogada

Fonte: http://www.fernandosantiago.com.br/toxoplas.htm

_________________________________________________

 

Toxoplasmose

Dra. Vanessa Pimentel

 

A Toxoplasmose é uma doença infecciosa causada por um parasita denominado Toxoplasma gondii.

É um parasita predominante em gatos ao redor do mundo apesar de outras espécies também poderem ser infectadas.

O gato apresenta a característica ímpar de ser o único hospedeiro definitivo do parasita, o que significa que  o organismo precisa passar pelo gato para completar todos os estágios do seu ciclo de vida.

Os gatos geralmente se tornam infectados quando se alimentam de roedores, alguns tipos de insetos, e também através da ingestão de carne mal cozida.

Apesar de gatos que têm acesso à rua apresentarem maiores chances de serem infectados, gatos que permanecem exclusivamente dento de casa também podem adquirir a doença.

Uma vez que o sistema imune tenha sido exposto ao organismo responsável pela Toxoplasmose, anticorpos serão produzidos.

Anticorpos (também conhecidos como globulinas) desempenham um importante papel de proteção no sistema imune.

No entanto, a detecção de anticorpos contra Toxo significa APENAS que a pessoa ou o gato foram expostos.

Isso NÃO significa que a Toxoplasmose ativa esteja presente.

Nos Estados Unidos, cerca de 30% a 50% dos gatos apresentam anticorpos contra Toxo.

Estima-se que cerca de 1/3 dos seres humanos já foram expostos.

No entanto, tais estatísticas não significam que gatos e seres humanos com positividade para anticorpos têm Toxoplasmose.

A presença de anticorpos significa apenas que exposição ao organismo da Toxo ocorreu no passado.

Em seres humanos, os sinais clínicos raramente são aparentes quando o sistema imune encontra-se normal.

Se sinais de doença estiverem presentes, estes geralmente são auto limitantes e inespecíficos.

A maioria dos sinais clínicos resultam de replicação do organismo dentro dos tecidos.

O sistema respiratório pode estar envolvido, dando a impressão de que se trata de uma gripe.

Em outros casos, pode parecer semelhante a mononucleose, com febre e aumento dos linfonodos.

Em seres humanos com sistema imune comprometido (como pacientes com AIDS ou aqueles em quimioterapia), as consequências da Toxoplasmose podem ser devastadoras, eventualmente levando à morte do indivíduo.

Em gatos, os sinais clínicos mais comuns estão relacionados com alterações inflamatórias nos olhos.

O sistema respiratório, fígado, cérebro e medula espinhal também podem estar envolvidos, com sinais de pneumonia icterícia (mucosas amarelas) ou convulsões.

Proprietários que estejam preocupados quanto à infecção por Toxoplasmose devem procurar seus médicos para testes.

Os veterinários são frequentemente questionados a testar gatos que pertencem a mulheres grávidas.

Mulheres gestantes devem estar atentas aos seguintes pontos quanto a testes para Toxoplasmose:

– Um teste para anticorpos contra Toxoplasmose pode ser realizado tanto em mulher gestante quanto no gato.

– Um resultado negativo significa que a mulher (e/ou o gato) não foram expostos ao organismo da Toxoplasmose.

– Uma simples titulação de anticorpos positivos, realizada no gato e/ou na mulher, significa que já houve exposição ao organismo da Toxoplasmose em algum momento de suas vidas.

– Para se determinar se a infecção é ativa, um segundo teste deve ser realizado 2-4 semanas depois.

Esteja ciente de que não existe nenhum teste capaz de determinar que uma infecção tenha ocorrido através do contato direto com um gato.

Se ambos os testes apresentarem resultados similares, ocorreu uma infecção no passado e um certo grau de imunidade existe.

Se o segundo teste estiver significativamente mais alto que o primeiro existe uma grande possibilidade de que um caso ativo de Toxoplasmose esteja ocorrendo.

É muito importante que ambos os testes sejam realizados pelo mesmo laboratório para que os resultados possam ser comparados de maneira apropriada.

Exames de fezes são de pouco auxílio para a determinação da presença ativa da Toxoplasmose no gato.

A maioria dos gatos eliminam o organismo uma vez na vida e apenas por um período de poucos dias.

Clindamicina é o anitibiótico de eleição para tratamento de gatos com Toxoplasmose.

Não há evidências que indiquem que esta droga seja capaz de remover completamente o organismo do corpo do gato, apesar da maioria dos gatos apresentarem melhora dentro de 2 a 3 dias após início do uso da medicação.

Infecções que envolvam os olhos e o cérebro são mais difíceis de serem tratadas.

Em geral, melhores resultados são obtidos quando os gatos são tratados por 4 semanas ou mais.

Gatos que respondem à terapia com clindamicina e são negativos para os vírus da leucemia e imunodeficiência felinas apresentam um bom prognóstico.

Aqueles gatos que apresentam sistema imune mais fraco, em estágios avançados da doença ou em casos de infecção do sistema nervoso central, apresentam prognóstico reservado.

Conforme mencionado acima, diversas espécies podem desenvolver a doença Toxoplasmose, incluindo seres humanos e cães, mas o organismo só consegue completar seu ciclo de vida dentro do gato doméstico.

Isso significa que o gato pode estar infectado com o organismo da Toxo e transmiti-lo a outros gatos ou outras espécies, incluindo seres humanos.

Os proprietários devem estar atentos que a infecção em seres humanos resultantes do contato direto com gatos infectados é extremamente improvável.

Para que isso ocorra, o seguinte deve ocorrer:

O gato tem que estar infectado com o organismo da Toxoplasmose.

Isso geralmente ocorre como uma consequência da alimentação de carnívoros através de ratos, ou ingestão de carne mal cozida, como porco e carneiro.

Outras fontes de infecção para gatos inclui baratas e minhocas.

O gato tem que estar eliminando o organismo nas fezes.

Isso ocorre somente por aproximadamente 10 dias.

Isso frequentemente ocorre apenas uma vez em toda a vida do gato.

Os organismos nas fezes do gato têm que ter 5 a 10 dias para esporularem (“incubarem”).

Esta “incubação” tem que ocorrer depois que as fezes saem do organismo do gato.

Portanto, fezes frescas não podem causar a transmissão da infecção a seres humanos.

O organismo da Toxoplasmose tem que ser engolido pela pessoa que esteja sendo infectada.

Não é disseminado a seres humanos através do ar.

O organismo da Toxoplasmose também pode ser transmitido a seres humanos através da ingestão de carnes cruas ou mal cozidas, especialmente porco ou carne de carneiro.

Uma vez que muitos hambúrgueres de restaurantes chamados “fast-food” são feitos com carne de boi misturada com carne de porco a infecção de seres humanos ocorre muito mais frequentemente desta maneira do que através dos gatos.

Apesar de se tratar de uma doença com consequências ruins, é importante lembrar que a Toxoplasmose ocorre raramente, especialmente considerando o número de pessoas com anticorpos contra Toxoplasmose.

Em pacientes com AIDS e Toxoplasmose, a doença geralmente é considerada uma reativação de uma infecção prévia e não o estabelecimento de uma nova infecção.

Por esta razão, geralmente é desnecessário retirar gatos da residência de pessoas infectadas pelo HIV.

Maneiras práticas de se prevenir uma infecção incluem:

Não permita que seu gato se alimente de ratos ou carnes mal cozidas.

Alimentar seus gatos com ração e não permitir que tenham acesso à rua reduz a possibilidade do gato tornar-se infectado.

Limpe as fezes da caixa de areia do seu gato diariamente.

Mesmo que as fezes estejam infectadas com oocistos da Toxoplasmose, eles precisa permanecer na vasilha de areia sanitária (para incubação) por 1 a 5 dias antes de se tornarem infectantes.

Para segurança extra, mulheres gestantes não devem limpar as vasilhas de areia sanitária.

Quando estiver trabalhando com solo (ou canteiros de flor) onde gatos podem defecar, use luvas para evitar que oocistos entrem em contato com suas mãos.

Evite se alimentar de carnes cruas ou mal cozidas.

Esteja especialmente atento a hambúrgueres de fast-food.

Lave bem as mãos após manipulação de carnes cruas.

Lave bem tábuas, facas e todos os outros utensílios utilizados na preparação de carnes cruas.

Lave todas as frutas e vegetais antes de ingeri-los.

Mantenha caixas de areia de crianças brincarem sempre cobertas.

Gatos que têm acesso à rua frequentemente utilizam tais caixas de areia para defecarem.

Mesmo que as fezes sejam removidas, a caixa de areia pode permanecer contaminada com parasitas.

Curiosidade – A incidência de anticorpos contra Toxoplasmose em veterinários nos EUA não difere do restante da população.

Dra. Vanessa Pimentel, Médica Veterinária – Coordenadora da “Clínica Só Gatos” de Brasília/DF,

Mestra em Medicina Veterinária, especializada em Medicina Felina com aperfeiçoamento nos EUA

e membro da Associação Brasileira de Clínicos de Felinos (ABFel).

http://www.clinicasogatos.com.br/duvidas/toxoplasmose.html

_________________________________________________

 

Leia mais:

Toxoplasmose: O GATO TEM CULPA?

Artigo do Dr. Reginaldo Pereira, veterinário especialista  em felinos

http://www.veterinariodefelinos.com.br/informativos_toxoplasmose/index.htm

 

 

Veja vídeo:

Médico Infectologista Dr. Caio Rosenthal e Médica Veterinária Dra. Solange Gennari falam sobre toxoplasmose no programana Bem Estar (da Globo) em 11/04/2011.

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2011/04/mais-da-metade-da-populacao-tem-toxoplasmose-alerta-especialista.html

http://g1.globo.com/videos/bem-estar/v/mais-da-metade-da-populacao-tem-toxoplasmose/1481749/

 

 

 

Gato Verde, em defesa dos Direitos Animais